
Garoto Enxaqueca diz:
" Zaratustra, porém ,olhava para o povo e se admirava. Depois falou assim:
O homem é uma corda, atada entre o animal e o além-do-homem - uma corda sobre um abismo.
Perigosa travessia, perigoso a-caminho, perigoso olhar-para-trás, perigoso arrepiar-se e parar.
O que é grande no homem, é que ele é uma ponte e não um fim: o que pode ser amado no homem, é que ele é um passar e um sucumbir.
Amo aqueles que não sabem viver a não ser como os que sucumbem, pois são os que atravessam.
Amo Aquele que não reserva uma gota de espírito para si, mas quer ser inteiro o espírito de sua virtude: assim ele passa como espírito por sobre a ponte."
"Prefácio de Zaratustra" - 4 aforisma, da edição Os Pensadores, Obras Imcompletas - traduçãode Rubens Rodrigues Torres Filho.
(E que vá para o espaço as regras de publicação e bibliografia)

Sinal Fechado
Elis Regina - Paulinho da Viola - Elis Regina - Transversal do Tempo
Olá, como vai ?
Eu vou indo e você, tudo bem ?
Tudo bem, eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você ?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe ...
Quanto tempo... pois é...
Quanto tempo...
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona ?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe ?
Quanto tempo... pois é... (pois é... quanto tempo...)
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal ...
Eu espero você
Vai abrir...
Por favor, não esqueça,
Adeus...


Zeca Balero
Minha Casa
É mais fácil cultuar os mortos que os vivos
mais fácil viver de sombras que de sóis
é mais fácil mimeografar o passado
que imprimir o futuro
não quero ser triste
como o poeta que envelhece
lendo maiakóvski na loja de conveniência
não quero ser alegre
como o cão que sai a passear com o seu dono alegre
sob o sol de domingo
nem quero ser estanque
como quem constrói estradas e não anda
quero no escuro
como um cego tatear estrelas distraídas
amoras silvestres no passeio público
amores secretos debaixo dos guarda-chuvas
tempestades que não param
pára-raios quem não tem
mesmo que não venha o trem não posso parar
veja o mundo passar como passa
uma escola de samba que atravessa
pergunto onde estão teus tamborins
pergunto onde estão teus tamborins
sentado na porta de minha casa
a mesma e única casa
a casa onde eu sempre morei








| Quero chorar |
| Porque te amei demais |
| Quero morrer |
| Porque me deste a vida |
| Ai, meu amor |
| Será que nunca |
| Hei de ter paz |
| Será que tudo o que há em mim |
| Só quer sentir saudade |
| E já nem sei |
| O que vai ser de mim |
| Tudo me diz |
| Que amar será meu fim |
| Que desespero traz o amor |
| Eu nem sabia o que era o amor |
| Agora eu sei |
| Por que não sou feliz |
saraba chikyuu yo tabidatsu fune wa
uchuu senkan YAMATO
uchuu no kanata ISUKANDARU e
unmei seoi ima tobidatsu
kanarazu koko e kaette kuruto
te wo furu hito ni egao de kotae
ginga wo hanare ISUKANDARU e
harubaru nozomu
uchuu senkan YAMATO
saraba chikyuu yo tabidatsu fune wa
uchuu senkan YAMATO
uchuu no kanata ISUKANDARU e
unmei seoi ima tobidatsu
kanarazu koko e kaette kuruto
te wo furu hito ni egao de kotae
ginga wo hanare ISUKANDARU e
harubaru nozomu
uchuu senkan YAMATO
saraba chikyuu yo aisuru hito yo
uchuu senkan YAMATO
chikyuu wo sukuu shimei wo obite
tatakau otoko moeru ROMAN
dareka ga kore wo yaraneba naranu
kitai no hito ga oretachi naraba
ginga wo hanare ISUKANDARU e
harubaru nozomu
uchuu senkan YAMATO

E é assim, com um punhado de tristeza que leva como sabor na boca, aquele gosto viscoso e febril.
Naquela conversa, Mafalda disse que eu era órfão e então refutei em saber o porquê.
Disse que sou sozinho, no pensamento e na incerteza,
Fui ficando acabrunhado com o que dizia e tudo ficou no ar.
Só deixarei de ser órfão quando perdoar a minha família pela sua ausência. Coisa estranha de se dizer, penso comigo, mas com um sentido muito único e quiçá verdadeiro.
Ser Órfão pode ser com ou sem pais, ficando de caráter estritamente opcional esta questão.
Daí vem o texto:
....Como nasceu órfão, cara? Você tem família!
-Isso não me garante que alguém vá conseguir tornar-se uma pessoa, porque, para sentir-se assim, você não pode ser uma cópia das gerações que o antecederam. Eu nasci a fórceps e você, de cesariana. É por isso que você o vê com outros olhos.....
De Sócrates Nolasco- O Primeiro Sexo e outras mentiras sobre o segundo.

Composição: Paul Simon
Hello darkness, my old friend,


Where The Wild Roses Grow
(words and music by Nick Cave)
They call me The Wild Rose
But my name was Elisa Day
Why they call me it I do not know
For my name was Elisa Day
From the first day I saw her I knew she was the one
As she stared in my eyes and smiled
For her lips were the colour of the roses
They grew down the river, all bloody and wild
When he knocked on my door and entered the room
My trembling subsided in his sure embrace
He would be my first man, and with a careful hand
He wiped out the tears that ran down my face
They call me The Wild Rose
But my name was Elisa Day
Why they call me it I do not know
For my name was Elisa Day
On the second day I brought her a flower
She was more beautiful than any woman I'd ever seen
I said, ‘Do you know where the wild roses grow
So sweet and scarlet and free?’
On the second day he came with a single red rose
He said, ‘Will you give me your loss and your sorrow?’
I nodded my head, as I laid on the bed
He said, ‘If I show you the roses will you follow?’
They call me The Wild Rose
But my name was Elisa Day
Why they call me it I do not know
For my name was Elisa Day
On the third day he took me to the river
He showed me the roses and we kissed
And the last thing I heard was a muttered word
As he knelt above me with a rock in his fist
On the last day I took her where the wild roses grow
And she lay on the bank, the wind light as a thief
As I kissed her goodbye, I said, ‘All beauty must die.’
And lent down and planted a rose between her teeth.
TWIN PEAKS
Quando foi que o seu dia
Cheio de luz virou noite?
Tudo bem!
Não precisa pensar nisso agora,
Amanhã o "pó" da estrada
Vai entrar em suas narinas
E o vento de Morpheus
Soprará sobre ti...
Mas tudo isso,
Tudo isso é apenas um sonho
Um devaneio futurista do passado
Que todos desejamos sem querer
Vai varrendo sua memória
E acorda durante a noite
Com ele sobre você
Você debaixo dele
Sendo estranho
Mas bem conhecido
Bem dentro
Queimando em sua lembrança
Pois ele te gera,
Cria-te...
Trás-te pão
E deposita a semente do asco
Dentro do coração
Enquanto a porta se abre
E se fecha diante do futuro
Do seu futuro
Da sua criança corrompida
Mas a noite veio
Seu dia iluminado está nas sombras
Não o evite,
Tenha-o sobre ti...
Sobre seus desejos mais devassos
Não!
Nada imoral baby...
Nada fálico de profundo
Que penetra e altera seu fluxo
Descontinuo da maré que avança
Percorrendo desvios de inverdades
De cortes e marcas profundas
Insano e apaixonante
Luxuria!
Sim, desejo...
Ele sobre você,
Você abaixo dele
Mais uma vez criando o incriado
Gerando o mal amado
Que titubeia em suas mãos
Como uma droga branca
Diferente transpassante
Fria como um sonho vertente
Que deságua em seus medos
Sem remorsos...
Vem,
Entregue-se...
Sinta o pico da angustia
Desgostosa da ausência de frio
Da carência de calor
E depois me diga...
Por que o seu dia
Brilhante calou-se na escuridão?
Paulo Nieri 27/07/97
“Uma vida pelo Czar”, “Sangue Vienense”, “Polonaises”. Estes termos, por mais que pareçam, não são palavras de ordem de algum discurso inflamado, mas até poderiam ser. São títulos de composições de autores do século XIX: o russo Mikhail Glinka (1804-1857), Jonhann Strauss Jr. (1825-1889) e Frédéric François Chopin (1810-1849), respectivamente. Três autores, três obras, três países, um só nacionalismo.
Que o nacionalismo na Europa cresceu desde os fins do século XVIII e atinge seu ápice nas primeiras décadas do século XX (Primeira Guerra Mundial), é público e notório. Entretanto, quando as garras no nacionalismo alcançam o campo da música? Quanto disto se amalgamará à música e qual será o arranjo resultante da mistura com o romantismo típico do período?
O século do romantismo proporcionou diversas alterações no campo musical; a evolução do meio artístico se intensificou com as movimentações políticas e revolucionárias que sacodem a Europa desde a Revolução Francesa. Vale lembrar que o universo musical clássico, que produziu figuras como Mozart e Schubert, se deu no seio na nobreza, dentro dos palácios, nos saraus e serenatas patrocinadas pelos nobres. O mecenato como prática disseminada garantiu o aparecimento e a glória dos músicos clássicos, ainda que estes estivessem apartados do universo popular. Lembremos que a primeira ópera popular de Mozart é justamente “A Flauta Mágica”, de 1791, criada sob encomenda numa situação de necessidade econômica do músico.
A criação clássica carrega duas características extremamente importantes para a análise do período subseqüente: o desligamento de “ideais e estilos emocionais” e as peças para pequenos conjuntos de instrumentos. A primeira característica nos interessa exatamente pelo envolvimento político dos autores do século XIX e pela busca de um estilo predominantemente sentimental, características as quais discorreremos com mais detalhes adiante. A segunda nos interessa por demonstrar de forma exemplar a mudança profunda que houve no meio de difusão musical entre os dois períodos.
No ambiente recluso dos palácios, ainda que nas festas maiores, os espaços eram relativamente estreitos, os recitais poderiam ser executados por músicos solistas, os “virtuoses”, ou por quartetos e sextetos; algumas vezes privilegiava-se apenas instrumentos de cordas. Desde Vivaldi assentou-se uma tradição de arranjos de cordas: a exaustivamente executada “Pequena Serenata Noturna” (Eine Kleine Nachtmusik), de Mozart, é uma peça para apenas dois violinos, uma viola, um violoncelo e um contrabaixo. Nada mais revelador sobre este ambiente estreito.







Eu gostei quando sai,
deixei a casa um pouco maisvazia,
por mais silencioso que o meu grito de mudança tenha sido,
por mais que minha revolta velada tenha acontecido,
por mais divertido que meu olhar silencioso fosse ou minha quietude erronêamente interpretada como resignação tenha sido,
as coisas tendem a voltar ao lugar,
mas lá dentro, elas sabem que estão numa tumba. aquilo é uma tumba.
Em Iniciativa, em alegria, em idéias. A mesmice, o pão de cada dia. A eterna repetição.
Tenham mais sorte...


